Qual a diferença entre ROTEIRO de LONGA-METRAGEM e SERIADO DE TV?

Um tema que toca a todas as pessoas que escrevem roteiros de ficção cinema e seriados para televisão são as diferenças estruturais na narrativa. O roteiro ficcional de um filme de longa-metragem tem sua trama narrada entre 70 minutos (um telefilme) a 120 minutos (para as salas de cinema). O roteiro delonga-metragem tem tradicionalmente:  início, meio e fim. A história termina em si mesmo. O arco dramático dos personagens se extingue no próprio enredo, mesmo que suas vidas continuem depois desse filme.

Na maioria dos casos os personagens principais e os coadjuvantes mais significativos nos são apresentados nos 15 a 20 minutos iniciais da história, assim como o “conflito” central da trama. Teremos cerca de 60 minutos para desenvolver o “conflito” e não mais que  40 minutos finais para dar o desfecho da história e o destino (o “fecho”) dos personagens envolvidos. Isso num filme de LM de 120 minutos, mas no mercado de exibição a média de duração dos filmes é de 90 minutos (1hora e meia). Nesse caso, cerca de 50 minutos para o “conflito central’ e 20 minutos para o desfecho. A história narrada não tem compromisso de continuação da história num próximo filme.

Lógico que as majors (os grandes estúdios ) e os produtores independentes, dado aos grandes investimentos e os fabulosos resultados financeiros a nível mundial, criam as licenças para quem deseje explorar a continuação da saga do personagem central e a temática (“Pirata do Caribe”, O Homem Aranha” são exemplos).Os Showrunners, as cabeças que estão por trás das séries de sucesso nas telinhas das tvs (David Chase: roteirista de 30 episódios dos 86 filmados da série “Família Soprano) são: um misto de roteiristas, diretores e produtores. Eles escrevem para temporadas de 7, 13 ou 26 episódios, que podem variar de 30 a 60 minutos por episódio. Deixando ao final da temporada,  uma janela aberta no roteiro para criar outra nova temporada .

Assim como, cada episódio deixa um “gancho” dramático  para prender o espectador, mantê-lo curioso e interessado no episódio que se seguirá ao que acaba de ver.

Quanto ao aspecto quantidade de personagens os dois tipos de roteiro se parecem .Tanto o de Longa, como o de Série de Tv, trabalham com um grupo central entre 2 a 6 personagens para que se consiga desenvolver melhor a narrativa. Muitos personagens dispersam a atenção e o interesse do espectador. O que ocorre com frequência é um personagem coadjuvante ou secundário numa temporada ganhar a simpatia do público e virar um cabeça de uma outra série. O advogado picareta Saul Goodman  da série “Breaking Bad”, por exemplo, virou o personagem principal da série “Better Call Saul” – 2015,  com o mesmo  Bob Odenkirk.

Muitos roteiristas de outros gêneros às vezes são contratados para criarem ou redigirem Sitcom. É preciso perceber que o Sitcom é, em princípio, um programa de episódios composto por uma situação esquemática com vários quadros de skets de humor. Quase sempre é desenvolvido no mesmo cenário. Bons exemplos são: a família negra vivida no “Eu, Ela e a patroa” e no Brasil o programa criado por Oduvaldo Vianna Filho “A Grande Família”- Rede Globo de Televisão.

Jorge Monclar

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